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Natascha Kampusch: uma criança mantida em cativeiro durante 8 anos

Natascha Kampusch foi mantida em cativeiro durante 8 anos. Sequestrada enquanto ia para a escola, obteve sucesso na sua primeira e única tentativa de fuga.

Natascha Kampusch, nascida em Viena, na Áustria, tinha 10 anos de idade quando estava indo para a escola sozinha. Naquele dia sua mãe permitiu que ela fosse a escola desacompanhada como um bônus por seu aniversário.

O percurso não era longo, e ficava dentro de uma zona bastante residencial. Em dado momento, enquanto fazia seu caminho, Natascha percebeu que havia um homem parado na calçada encostado em uma van branca.

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Ela achou estranho e pensou em atravessar a rua, mas não o fez. Ao se aproximar dele enquanto fazia seu trajeto, ela foi rapidamente pega no colo e colocada dentro do veículo.

Seu sequestrador se chamava Wolfgang Priklopil, na época ele trabalhava com informática e um tempo depois chegou a realizar pequenas reformas em casas de clientes, como autônomo. Muito protegido e mimado pela mãe, maníaco por limpeza e fã de Adolf Hitler, Wolf morava numa casa que foi deixada como herança por seu avô.

Durante a segunda guerra mundial, foi construído um abrigo contra bombas no porão de sua casa, e foi nesse cômodo que Natascha passou seus oito anos de cativeiro.

Primeiros anos de Natascha Kampusch no cativeiro

Durante os primeiros 180 dias de sequestro, Natascha Kampusch foi impedida de tomar banho. O máximo que ela conseguia era apenas se molhar em uma pequena pia instalada por Wolf em um dos cantos do quarto.

Constantemente Wolf repetia a ela que os pais não haviam a procurado, e que talvez estivessem melhores sem ela — uma atitude comum adotado pelos sequestradores, como por exemplo no caso do Steven Stayner.

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Natascha relutava em acreditar, mas conforme os dias iam passando, sua única referência era aquele homem, e segundo ela, já que nada mudava talvez ele estivesse certo sobre a família.

Casa de Wolf, onde Natascha foi mantida em cativeiro. / Foto: Priwo

Em contrapartida, sua família se esforçava muito nas buscas. Televisões, jornais e até cartazes espalhados em locais públicos foram usados como veículos para a busca de Natascha.

Além do frequente abuso emocional, Wolf obrigava Natascha a cortar os cabelos bem curtos para evitar que deixasse fios espalhados pelo chão. Quando algo saia do seu controle, ou quando a menina de apenas dez anos não executava uma tarefa com perfeição, ele a batia violentamente.

Em entrevista, Natascha conta que certa vez apanhou tanto que não conseguia firmar as pernas no chão de tanta dor.

Conforme o tempo ia passando, Natascha ia ganhando mais liberdade na casa. Próximo de completar dois anos de cativeiro, Wolf permitiu que a menina, então com doze anos, frequentasse a cozinha da casa. Ela era obrigada a cozinhar usando apenas calcinha, e sempre deveria limpar tudo com extrema perfeição.

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A garota foi obrigada a adotar outro nome, já que Wolf não permitiu que ela se identificasse mais como Natascha. Durante os oito anos de cárcere ela foi chamada de “Bibiane”.

Durante uma reforma na casa, Wolf obrigou Natascha a trabalhar como operária, carregando sacos pesados de areia, cimento, instalando pisos e janelas e tudo isso sob as ordens severas de seu sequestrador.

No vídeo, é possível ver detalhes sobre a casa de Wolfgang e o cativeiro de Natascha Kampusch.

Quando entrou na adolescência, Natascha relata que as coisas se tornaram mais difíceis. Houveram momentos em que ela não tinha mais esperança, e nessa época tentou o suicídio por três vezes provocando incêndios e tentando amarrar roupas ao seu pescoço dentro do cativeiro.

As refeições que a garota recebia não tinham o número de calorias adequadas para a faixa etária. Por muitas vezes Natascha recebia só uma refeição por dia, que na maioria das vezes era um sanduíche de pasta de amendoim. O resultado disso foi uma desnutrição, aos dezesseis anos ela chegou a pesar 38kg.

Autorizada a circular pela casa

Depois dos primeiros anos, Wolf autorizou que Natascha passasse a maior parte do dia na parte superior da casa. Ela podia ouvir rádio e assistir televisão. Quando o homem estava em casa, permitia que ela fosse ao jardim tomar sol, mas tudo isso acontecia sob intensa ameaça de violência.

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A confiança do sequestrador foi aumentando, para Wolf esse era o crime perfeito já que havia passado tanto tempo e a polícia não tinha nenhuma pista.

Ele começou a levar a menina junto a pequenos passeios, alguns de seus amigos até relataram que conheciam Natascha, ele a apresentava como Bibiane e dizia que ela era sua namorada.

Pouco antes da garota completar dezoito anos, Wolf a levou para andar de esqui, essa seria uma viagem mais longa e precisariam se hospedar em um hotel. Mais uma vez, sob intensa ameaça, tudo ocorreu conforme o planejamento do criminoso e Natascha sequer pensou em fazer qualquer tentativa de fuga.

A única chance de sobreviver

Em 23 de agosto de 2006, agora com 18 anos de idade, Natascha estava no jardim da casa auxiliando Wolf na limpeza da van. Sua tarefa era passar o aspirador enquanto ele limpava os tapetes do veículo. Aproximadamente às 12:53h Wolf recebeu uma ligação em seu celular.

Devido ao barulho do aspirador ele automaticamente se afastou para responder a ligação. Nesse momento Natascha viu a única oportunidade que tinha de salvar sua vida, ela não pensou duas vezes. A menina deixou o aspirador ligado e correu cerca de 200m entre os jardins das casas a procura de alguém que lhe ajudasse.

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Em uma das casas que passou na frente avistou uma senhora na janela, desesperadamente ela começou a gritar “Eu sou Natascha Kampusch, fui sequestrada aos dez anos, por favor chame a polícia!”. A mulher fez contato com as autoridades e dois policiais rapidamente chegaram ao local.

Perguntas rápidas foram feitas e ela foi levada pelos policiais à delegacia de Deutsch-Wagram. O sequestro havia terminado, depois de 3.096 dias de cativeiro.

Com a fuga de Natascha, Wolfgang Priklopil fugiu da casa e andou pelas rua de Viena o dia todo. Encontrou-se com um amigo e ex-sócio Ernst Holzapfel num shopping, onde lhe confessou os motivos de seus atos e teve sua imagem capturada por câmeras de segurança do estabelecimento quando se encontrava num balcão de informações.

No fim do dia, sabendo que toda a polícia do país o caçava, suicidou-se jogando-se na frente de um trem em movimento perto da estação Wien Praterstern, no norte da cidade. Ele havia dito a Natascha que “nunca o pegariam vivo”.

Detalhes interessantes sobre o caso

Somente em 2013, numa entrevista dada ao jornalista Günter Jauch da televisão alemã por ocasião de seu 25º aniversário, dias antes do lançamento mundial do filme “3096 Dias de Cativeiro“, baseado em seu livro homônimo, Natascha assumiu ter sido estuprada durante o cativeiro.

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O filme traz cenas de estupro, que não constam do livro e foram anexadas com o consentimento de Kampusch, depois que documentos policiais com evidências dos estupros múltiplos cometidos por Priklopil foram colocados em domínio público.

Ela passou os primeiros dias de liberdade na ala psiquiátrica para crianças e adolescentes do Hospital Geral de Viena, aos cuidados de médicos e enfermeiras, sem contato com a família e sem permissão de sair, dividindo a área comum com jovens meninas anoréxicas e crianças que se automutilavam, longe do mundo exterior do qual havia sido privada por oito anos, enquanto a imprensa do mundo inteiro “enlouquecia” sem notícias do lado de fora.

Imagens de seu cativeiro e mesmo das coisas pessoais que tinha escondido de seu raptor, como roupas e um diário, apareciam constantemente na televisão, revistas e jornais. A princípio, seus pais não tiveram permissão de médicos e autoridades para estar com ela pessoalmente, depois do primeiro encontro para identificação.

Dois anos após sua fuga, Natascha comprou a casa onde ficou sequestrada por anos, após uma audiência pública para a venda do espólio de Wolfgang Priklopil.

Natascha comprou a casa para impedir que fosse demolida, livrá-la de vândalos e impedir que virasse um santuário para fãs psicóticos e a visitou por duas vezes depois de sua libertação.

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Natascha Kampusch, dez anos depois de ter fugido do cativeiro. / Foto: Reprodução.