Jonestown: Jim Jones e o maior suicídio coletivo da história

Cerca de mil pessoas foram mortas por envenenamento, em um evento chamado de "suicídio revolucionário". O motivo? Fanatismo religioso.

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Jonestown se tornou um acontecimento histórico das Américas. Quase mil pessoas foram forçadas a cometer suicídio através da ingestão de cianeto enquanto viviam na cidade construída por Jim Jones. Ninguém jamais imaginou que suas ideias iriam tão longe.

James Warren Jones, infância

Nascido em Indiana, EUA, em treze de maio de 1931. Seu pai, James Thurman Jones era um veterano da primeira guerra mundial casado com Lynetta Putnam. Eles aparentemente levavam uma vida normal.

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O pai era alcoólatra, e Jim costumava se referir a ele como um “racista maldito”. A mãe, por sua vez, era muito ligada a mistérios de vidas passadas e passava boa parte do tempo envolvida em suas crenças ou como dizia Jim: “no mundo da lua”.

Jim tinha poucos amigos, passava quase que todo seu tempo livre estudando. Seus autores favoritos eram Gandhi, Hitler, Marx e Stalin.

Aos doze anos de idade, começou a fazer pregações religiosas. Ele falava muito sobre maldições, demônios e inferno. Em 1948 seus pais se divorciam, Jim ficou morando com a mãe que mudou-se para Richmond, também em Indiana.

Foto de Jim Jones sendo seguido por uma multidão
Jim Jones sendo seguido por uma multidão. / Fonte: Crime+Investigation

Marceline Baldwin, o primeiro amor de Jim Jones

Um ano após terminar a escola, em 1949, Jim casou-se com Marceline Baldwin que na época era enfermeira. Então em 1951, Jim se juntou ao partido comunista. Marceline seria sua parceira inseparável nos acontecimentos a seguir.

Jim Jones com sua esposa
Jim Jones e Marceline Bladwin no início do relacionamento. / Fonte: ABCNews

Desde pequeno Jim sempre esteve envolvido com política e religião. Ao contrário do pai, sempre foi a favor dos direitos dos afro-americanos e lutava por qualquer minoria social. Infelizmente suas intenções não eram as melhores.

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Grandes aglomerações religiosas

Em 1952, Jim entrou para a Igreja Metodista. Ele ficou impressionado com a quantidade de pessoas envolvidas nos cultos e começou a planejar como transformaria isso em dinheiro.

No ano de 1956 ele reunia centenas de pessoas enquanto pregava sobre uma comunidade igualitária e aberta, que aceitava todas as cores e gêneros. Todos seriam bem vindos, isso chamava a atenção de cada vez mais pessoas.

Ainda nessa época, Jim e Marceline adotaram 6 crianças de diversas etnias. Em 1959, tiveram seu único filho biológico.

Jim Jones com seus filhos adotivos
Algumas das crianças adotadas pelo casal. / Fonte: ABCNews

Jim Jones visitou o Brasil

Depois de um discurso em 1961 sobre o apocalipse nuclear e ler uma matéria de uma revista que listava Belo Horizonte como um lugar seguro em uma guerra nuclear, Jones viajou com a sua família para a cidade com a ideia da criação de um novo local para o Templo. Durante a estadia, fez sua primeira viagem para a Guiana, então ainda uma colônia britânica.

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Foto do Registro de estrangeiro de Jim Jones, de quando veio ao Brasil. / Foto: Arquivo Público de SP

Após chegar em Belo Horizonte, Jones alugou uma modesta casa de três quartos. Ele estudou a economia local e a receptividade das minorias raciais com a sua mensagem, embora o idioma tenha permanecido como uma barreira. Jones tomou cuidado para não retratar a si mesmo como um comunista em território estrangeiro e falava de um estilo de vida comunitário apostólico.

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No entanto, a falta de recursos na região fez com que Jones e seus seguidores se mudassem para o Rio de Janeiro em meados de 1963, onde eles trabalharam com populações pobres em favelas.

Jones foi atormentado pela culpa de deixar para trás Indiana e a luta pelos direitos civis e, possivelmente, perder tudo o que ele tinha tentado construir lá. Quando os pregadores associados a Jones em Indiana lhe disseram que o Templo estava prestes a entrar em colapso sem ele, Jones voltou aos Estados Unidos.

Surge Jonestown, “a comunidade perfeita”

Após denúncias motivadas pela deserção de oito jovens membros da igreja em 1973, o grupo dirigente do Templo se fechou em torno de Jones e sua liderança pessoal.

Em 1974, o Templo arrendou uma extensão de terra na Guiana, junto à localidade de Port Kaituma, próximo à fronteira com a Venezuela. Ali Jones, com sua família, pretendia erguer o “Projeto Agrícola” do Templo dos Povos, formando a comunidade informalmente denominada de Jonestown.

Jim Jones com algumas pessoas em uma plantação
Ao centro Jim Jones e ao seu lado alguns de seus seguidores demonstrando intensa felicidade em Jonestown.
Fonte: CaliforniaRevealed

Os primeiros 50 residentes, transferidos da igreja em San Francisco, chegaram em 1977. No ano seguinte, já eram mais de 900 (dos quais 68% eram afro-americanos).

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Tratava-se de uma tentativa de construir uma comunidade rural autossustentável em um local com solo pobre e com pouca água doce. Além disso, a comunidade estava superpovoada quando se leva em conta os recursos disponíveis nas proximidades. Essas circunstâncias contribuíram para a deterioração das condições de vida no local.

Jim Jones abusava sexualmente de mulheres da comunidade

Jonestown possuía bangalôs pequenos onde pessoas de várias famílias viviam juntas. Havia também um espaço de plantio e criação de animais.

Jim não permitia que a comunidade tivesse contato com o mundo externo. Havia um único aparelho de rádio em Jonestown, e este ficava sempre em seu dormitório.

Segundo depoimentos de sobreviventes do massacre, Jim tinha o hábito de manter relações sexuais com as mulheres da comunidade com o intuito de “abençoá-las” através da penetração. Inclusive, um dos filhos adotivos de Jim descobriu que foi fruto de um desses abusos, e tempo mais tarde revoltou-se contra todo aquele sistema.

Leo Ryan visita Jonestown

Leo Ryan morou em muitos lugares diferentes durante sua infância, ele serviu como submarinista na Marinha dos Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial e depois trabalhou como professor de inglês e história no ensino médio em Nebraska antes de se estabelecer na Califórnia. Ele atuava como político, tinha fortes convicções e um grande sentimento de justiça.

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Em 1977, Ryan ouviu falar de Sammy Houston, um velho amigo cujo filho havia abandonado o Templo dos Povos de Jim Jones e morrido pouco depois. Houston não conseguiu entrar em contato com sua nora ou netos em Jonestown.

Ryan então soube da declaração de Deborah Layton Blakey atestando a atmosfera de um campo de prisioneiros e ameaças de suicídio em massa em Jonestown.

Foto de Jim Jones com um desconhecido
Jim Jones com um homem não identificado em Jonestown em 18 de novembro de 1978. Pouco depois de tirar a foto, o fotógrafo foi morto durante uma emboscada no aeroporto. / Fonte: FBI.

“The Bad Guy”

Chegando à Guiana com dois assessores, um grupo que esperava trazer seus parentes de Jonestown e jornalistas, Ryan foi à casa que o Templo alugou na capital da Guiana, Georgetown. “Eu sou o cara mau”, ele anunciou aos residentes. “Alguém quer conversar?” Ele garantiu que tinha a mente aberta e só estava interessado em ouvir suas histórias.

Em direção a fonte

As histórias que ele mais queria ouvir eram aquelas que apenas as pessoas de Jonestown podiam contar. Apesar da relutância de Jones, Ryan e um número limitado de sua comitiva voaram para Port Kaituma para ver Jonestown com seus próprios olhos.

Queda de Jonestown

Em um dado momento da visita, um dos seguidores mais fiéis de Jim atacou Ryan com uma faca. Ryan até conseguiu escapar para o aeroporto improvisado da equipe, mas lá a “Brigada Vermelha” de Jonestown (como eram chamados os seguidores que andavam armados) já estava a postos.

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Foram mortos Leo Ryan, três jornalistas e uma garota residente da comunidade que tentava escapar. Em um ato de desespero, Jim Jones ordenou que toda comitiva fosse morta.

Suicídio coletivo, as crianças foram as primeiras mortas

No dia seguinte, em 19 de Novembro, Jim reuniu todos os seguidores no templo de Jonestown. Ele disse a todos que finalmente o grande dia havia chegado, era hora do maior feito de sua carreira.

Haviam mais de 1000 pessoas no templo nesse dia. Jim disse as pessoas que a CIA estava a caminho e mataria todos os residentes de Jonestown assim que chegassem. Ele estimulou a comunidade a não se render, já que eram pessoas boas e religiosas, e que a partir do ato todos estariam livres e seguros em um plano maior.

Foram servidos centenas de copos de suco de frutas vermelhas, todos envenenados com cianeto. Primeiro foi ordenado que todas as crianças bebessem, nesse momento Jim garantiu aos pais que elas partiriam sem sofrimento, mas não foi o que aconteceu…

As crianças rapidamente começaram a passar mal, sentiram fortes dores no estômago e até gritaram de dor. As pessoas entraram em desespero, tentando fugir, mas infelizmente era tarde demais.

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Ninguém poderia cruzar a porta sem beber o suco, aqueles que se negaram foram mortos a facadas. Foi um verdadeiro show de horror, diversas pessoas passando mal e gritando ao mesmo tempo, enquanto outras eram assassinadas pela própria Brigada Vermelha.

Todos deveriam morrer naquele dia, incluindo os animais. Gatos, cachorros, cavalos e galinhas foram mortos a tiros. E então após Jim ter se certificado que todos tinham morrido, suicidou-se com um tiro na cabeça.

Sobreviventes

Ao todo 35 pessoas sobreviveram. Alguns deles nem estavam na comunidade no momento, eram pessoas da confiança de Jim que saíram para comprar mantimentos.

Uma parte dos corpos foi enterrada na Guiana, e o restante enviado para os EUA.

O terreno de Jonestown foi completamente retomado pela floresta, há quem queira transformá-lo em ponto turístico, mas o governo da Guiana sempre relutou em tal atitude.

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Juliane Cunha

27 anos, trabalho na área da saúde. Adoro escrever e também adoro casos criminais, nada melhor que unir o útil ao agradável. Me segue no Instagram @julianesantt | @casocriminal_