Início » Serial Killers » John Wayne Gacy, o palhaço com um cemitério em seu porão

John Wayne Gacy, o palhaço com um cemitério em seu porão

John Wayne Gacy adorava se vestir de palhaço e era um homem exemplar. O que ninguém sabia: ele estuprava, matava e enterrava os corpos embaixo de sua casa.

Nascido em 17 de maio de 1942, em Chicago, EUA, John Wayne Gacy Jr e seus irmãos constantemente sofriam abusos físicos e psicológicos do pai, que era alcoólatra e homofóbico. Quando criança, Gacy gostava muito de jardinagem e cozinha, um prato cheio para virar alvo da violência de seu pai.

Gacy costumava passar a maior parte do tempo com sua mãe e irmã. Aos nove anos de idade, o menino foi abusado sexualmente por um amigo próximo do pai. Gacy nunca contou isso a ninguém, ele tinha muito medo do pai e o assunto só veio a tona mais de duas décadas depois.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Aos 11 anos de idade, Gacy ficou hospitalizado por vários meses após começar a sofrer com apagões inexplicáveis. Seu pai acreditava que ele estava fingindo, já que os médicos não conseguiam diagnosticar por que isso estava acontecendo.

Após cinco anos de frequentes visitas ao hospital, descobriu-se que ele tinha um coágulo de sangue em seu cérebro, que foi tratado. Mas a essa altura seu pai já havia lhe punido severamente por isso. Ele era espancado regularmente, sem nenhuma razão em particular, a não ser pelo motivo que seu pai o odiava.

John Wayne Gacy se muda para Las Vegas

No final de sua adolescência, para fugir desse ambiente familiar, John Wayne Gacy se mudou para Las Vegas e conseguiu emprego em um necrotério.

O salário não era suficiente para pagar aluguel e alimentação, por isso muitas vezes Gacy dormia no trabalho. Ele conta que chegou a praticar necrofilia no local, abusando de um adolescente morto.

Logo depois disso ele largou esse emprego, e aos 22 anos se casou pela primeira vez, com Marlynn Myers. Fruto desse casamento, Gacy teve dois filhos e a família vivia se mudando para outros estados dos EUA, para ficarem mais perto dos empregos que arranjava.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

John Gacy e Marlynn Myers com seus filhos. / Foto: Reprodução

Impulsos sexuais impróprios, álcool e drogas

A vida de família perfeita não durou muito tempo, rapidamente Gacy começou a beber, usar drogas e trair sua esposa. Nessa época ele até fazia tentativas de embebedar adolescentes do sexo masculino a fim de que concordassem praticar atos sexuais com ele, e quando isso não dava certo ele dizia que era apenas uma brincadeira entre amigos.

A coisa foi saindo do controle, e por uma época Gacy manteve um bar no porão de sua casa e passou a convidar garotos para “assistir filmes e dormir”. Em um desses episódios, Gacy convidou o filho de um amigo seu, também membro da associação de moradores local. O garoto foi até a casa, topou ingerir bebidas alcoólicas mas não cedeu as investidas sexuais do anfitrião.

Gacy ficou furioso e desconcertado, então ele ofereceu uma quantia em dinheiro para que o garoto se calasse e não contasse a ninguém sobre os impulsos sexuais. Porém ele não se calou, contou tudo aos pais, que inclusive fizeram uma denúncia a polícia. John Wayne Gacy foi condenado a dez anos de prisão por abuso sexual.

A esposa de Gacy na época ficou muito envergonhada, ela pediu o divórcio e se mudou para outro estado com os filhos. Ele nunca mais viu os filhos depois disso.

Prisão de John Gacy. / Foto: Wikimedia

Um detento exemplar

Gacy era um preso com ótimo comportamento, sempre disposto a ajudar os colegas de cela. Alguns diziam até que ele melhorou muito sua qualidade de vida enquanto cumpria pena. Devido ao modo em que agia na cadeia, após dezoito meses ele ganhou direito a liberdade condicional.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Ele voltou para Chicago e passou um tempo morando com sua mãe. Nessa época ele trabalhou em vários restaurantes de fast-food e fez alguns bicos na área. Ele parecia totalmente ressocializado.

Nem um ano após Gacy ser solto, ele foi acusado de estupro novamente, mas a vítima, um adolescente, não compareceu ao tribunal e a acusação foi retirada.

Com as economias do trabalho, e somado a uma ajuda financeira da mãe, Gacy comprou uma casa e começou um negócio próspero na área da construção civil.

Em 1972, Gacy e a nova namorada ficaram noivos. Às vésperas do casamento ele foi novamente acusado de estupro, mas desta vez Gacy conseguiu subornar o garoto e a queixa foi retirada. O casamento com Carole Hoff, sua segunda esposa, aconteceu. Gacy parecia ter encontrado o amor de sua vida.

Surge o palhaço Pogo

Tempos depois, durante uma viagem de trabalho, Gacy estuprou um de seus funcionários. O homem não prestou queixa, mas lhe deu uma surra no quintal de casa.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A imagem de Gacy não andava boa, as pessoas da comunidade estavam mais atentas a ele. No intuito de reverter isso, em 1975 ele entrou para um grupo de ações beneficentes.

Uma das atividades desse grupo era se vestir de palhaço para visitar hospitais, animar festas infantis e eventos sociais. Gacy rapidamente se identificou e até inventou um personagem para si, o palhaço Pogo.

Ele também era um católico praticante, ativo na associação de moradores, fazia parte de um grupo voluntário da defesa civil, tesoureiro do partido democrata e chegou a ganhar um prêmio de “Homem do ano” na cidade.

Gacy retomou o hábito de convidar homens para irem até a garagem de sua casa, principalmente adolescentes. A esposa começou a desconfiar e ele dava respostas evasivas, dizia que eram jovens da igreja ou filhos de seus amigos que queriam passar um tempo com um empresário de sucesso.

Não satisfeita, a esposa decidiu fazer uma busca na garagem e acabou encontrando muitas revistas de pornografia gay.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Quando confrontado, o marido disse que era bissexual e que eles não manteriam mais relações sexuais a partir dali. Pouco tempo depois, a esposa de Gacy pediu o divórcio.

A presença de homens na casa de Gacy se torna mais frequente

Com a saída da esposa, e a casa livre só para ele, Gacy começou a chamar homens e garotos com cada vez mais frequência. Um desses garotos se chamava Timothy McCoy e tinha apenas quinze anos.

Ele mantiveram relações sexuais naquela noite, e pela manhã Gacy acordou com Timothy segurando uma faca aos pés de sua cama. Rapidamente, e sem pensar duas vezes, Gacy roubou tomou a faca do garoto e o esfaqueou até a morte.

Chegando na cozinha percebeu que Timothy havia preparado o café da manhã para os dois, e apenas estava com a faca na mão quando foi acordá-lo para comer. E o mais chocante disso tudo, Gacy teve um orgasmo enquanto esfaqueava o garoto.

Pelos próximos dois anos, Gacy passou a sofisticar os crimes e estabelecer o seu modos operandi. Ele atraía os jovens com a promessa de uma entrevista de emprego para o seu negócio de construção civil. Chegando lá ele os algemava, violentava de várias formas bizarras e por final os estrangulava. Após isso, John Gacy arrastava os corpos pro quintal e os enterrava embaixo de sua própria casa.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Um desses garotos, após ser violentado e agredido implorou a Gacy para ser morto. Mas ele fez o contrário, vestiu as roupas no garoto e o levou até a frente de seu trabalho. Chegando lá o garoto ligou para a polícia, e Gacy ao ser interrogado disse que tudo havia sido consentido e o que o menino era seu “escravo sexual”. A polícia acreditou no depoimento do empresário, e o liberou.

Muitos adolescentes começam a desaparecer

Nessa altura, John Wayne Gacy já havia se tornado um verdadeiro serial killer, a ponto de não haver mais espaço para enterrar corpos embaixo de sua casa. Ele então decidiu jogar os próximos cadáveres num rio próximo. Muitos jovens passaram a sumir na cidade, seus pais prestavam queixa dizendo que os garotos haviam saído pela última vez para ir em uma entrevista na casa de Gacy.

Gacy, quando interrogado sempre era evasivo, dizia que tinha marcado entrevista mas que os jovens não apareceram e por vezes passava longos minutos falando que não tinha nada a ver com isso, dizendo que era membro da igreja e muito ocupado com seu trabalho. O discurso parecia convencer a todos, menos a polícia, que passou a seguir seus passos.

Viaturas vigiavam sua casa durante as 24h do dia. Uma investigação foi levantada sobre seus antecedentes criminais, e em 1978 após muita pressão policial, John Wayne Gacy confessou.

Julgamento, sentença e corredor da morte

A defesa de Gacy sustentava a tese de que ele era um doente mental, incapaz de assumir a responsabilidade de seus crimes. Suas principais testemunhas foram sua mãe e irmã. Mas amigos de Gacy, e principalmente um dos sobreviventes de seus crimes testemunharam contra, dizendo que ele tinha completa ciência do que fazia e isso pesou muito na decisão do juiz.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Durante o julgamento, John Wayne Gacy chorava e vomitava compulsivamente. Várias pausas foram necessárias para que ele se recuperasse.

Ele foi acusado por matar trinta e três jovens, e sentenciado a pena de morte por injeção letal. Ele passou quatorze anos no corredor da morte, aguardando o deferimento de seus recursos. Por diversas vezes tentou suicídio na cadeia, e se tornou alcoólatra.

Um de seus passatempos era pintar quadros, em sua grande maioria ele retratava palhaços ou alguma personalidade importante como Hitler e Al Capone ao lado dele mesmo, vestido de palhaço.

Algumas dessas pinturas chegaram a ser vendidas por vinte mil dólares.

Execução por injeção letal

A execução foi marcada para o dia dez de maio de 1994, a expectativa na cidade era enorme e a imprensa prestou uma enorme cobertura em tempo real.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Dentro da prisão, Gacy desfrutou de sua última refeição: frango frito, camarão, batatas fritas e morangos frescos. Nas suas últimas horas de vida teve a companhia de seus familiares e amigos, que se retiraram as nove horas da noite.

Após a meia noite daquele dia, Gacy foi amarrado a uma maca e recebeu uma injeção letal. Suas últimas palavras foram: Kick my ass.