Ted Bundy, um serial killer charmoso e atraente

Bundy era considerado um homem bonito e carismático, traços que ele utilizava para conquistar a confiança de suas vítimas e da sociedade.

You are currently viewing Ted Bundy, um serial killer charmoso e atraente

Queremos acreditar que conseguimos identificar pessoas perigosas, mas o mais aterrador é que não podemos. As pessoas não se dão conta de que convivem com assassinos em potencial.

Ted Bundy.

Quem era Theodore Robert Bundy?

Theodore, ou melhor, Ted Bundy, nasceu em novembro de 1946. Teve uma infância tumultuada e com muita falta de atenção e menosprezo por parte da família e conhecidos.

Ele relatou que, na rua, nunca teve amigos, e dentro de casa a relação era estranha. Ele vivia com os avós, mas seu avô era violento e agredia a avó.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A vida nunca foi fácil para ele. Sua mãe, Eleanor Louise Cowell, não o assumiu. Foi criado como se ela fosse sua irmã e os seus avós, os pais adotivos.

Os testemunhos de quem o conheceu na infância e na juventude mostram um Bundy introvertido e desajeitado na época da escola, complexado por um problema de fala e por crescer em uma família relativamente humilde de Seattle, rodeado por vizinhos ricos.

Praticamente inofensivo

O assassino tinha olhos azuis e cabelos escuros. Além disso, estava sempre bem arrumado e era bastante simpático com todos. Não tinha relações próximas, mas sempre conquistava todo mundo e se destacava em seus trabalhos.

As relações tumultuadas em casa e o fato de não ter amigos, não o impediram de se apaixonar. Sim. Ele namorou algumas garotas, mas se apaixonou mesmo por Elizabeth Kloepfer. O romance do casal foi duradouro e ele se tornou um bom padrasto para a pequena Tina.

Elegante, agradável, charmoso e eloquente são adjetivos que se repetem na série do Netflix para se referir a Bundy. São destacados também sua formação universitária, sua inteligência e seu poder de atração sobre as mulheres.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Era bom moço, bem-sucedido, as mulheres o achavam muito atraente, o que explica que várias vítimas tenham entrado em seu carro sem conhecê-lo [antes de ele sequestrá-las e matá-las].

disse Scott Bonn, sociólogo e criminologista da Universidade de Drew em Madison, nos Estados Unidos, à BBC.

Helen Morrison, psiquiatra forense que entrevistou dezenas de assassinos em série ao longo de sua carreira, no livro Minha Vida Entre Assassinos em Série, escreveu: “Nunca sei bem com quem estou lidando. São tão amistosos, amáveis e solícitos quando começamos a trabalhar… são encantadores, tão carismáticos quanto [os atores] Cary Grant ou George Clooney”.

Início dos crimes

Em 1974, Ted Bundy decidiu cursar direito na Universidade de Utah, próximo a sua casa. E foi nesse cenário que os crimes começaram a acontecer e a chocar o país.

As garotas começaram a desaparecer, mas logo depois descobriram que elas, na verdade, estavam sendo sequestradas, abusadas e mortas.

Os crimes começaram a ser desvendados com Carol DaRonch. Ted tentou atacá-la, mas ela entrou em luta corporal com ele e conseguiu escapar. Carol conseguiu chamar a polícia e descreveu as características físicas do homem, assim como do Volkswagen que ele dirigia.

A polícia de Washington identificou restos mortais em uma floresta. Ao analisar, descobriram que todos eram das mulheres que estavam desaparecidas. Desde então, todas as evidências e descrições chegavam a Ted Bundy e ele passou a ser procurado pela polícia.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Mas, apenas em agosto de 1975 ele foi preso, acidentalmente, pela polícia. Até lá, Ted viajou pelos Estados Unidos e assassinou outras mulheres.

Primeira vez preso

Apesar de toda a polícia estar atrás de Ted Bundy, ele foi preso acidentalmente em um fiscalização de rotina. A polícia de Utah avistou um Volkswagen suspeito por estar com as faróis apagados e não obedecer a ordem de parar.

Quando a polícia alcançou Ted, encontraram no carro alguns itens estranhos, com por exemplo, algemas, picador de gelo, máscara de ski, pé de cabra e meia-calça com buracos. Inicialmente ele foi preso por suspeita de roubo.

Quando descobriram que ele era um dos caras mais procurados dos EUA, a polícia logo chamou Carol DaRonch para fazer o reconhecimento. Carol confirmou as suspeitas e ele foi preso por tentativa de sequestro.

Enquanto ele estava na prisão, a polícia reuniu as provas para acusá-lo também do primeiro homicídio no Colorado. Esse seria de Caryn Campbell, de 23 anos.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Assim da prisão de Utah ele foi transferido para o condado de Garfield, no Colorado. Foi nessa oportunidade que ele preparava sua própria defesa e planos de fuga.

Primeira fuga

O julgamento de Ted Bundy começou no tribunal de Pitkin, em Aspen, no Colorado. Ele aproveitava as horas na prisão para praticar atividades e manter o porte físico. Até então ninguém sabia que na verdade ele estava era praticando atividades de resistência.

Ele estava planejando a primeira fuga, que muito exigiria dele ter boas condições para aguentar tudo que enfrentaria pela frente. Em junho de 1977, ele estava sozinho na biblioteca e aproveitou para colocar o plano de fuga em ação. Ele pulou da janela no segundo andar e seguiu em direção às montanhas de Aspen.

Para se esconder e não ser novamente capturado, ele se abrigou em uma cabana na floresta e passou fome e frio. Mas, não demorou muito para ser capturado. Então, com seis dias de fuga e sem ter como sobreviver, ele voltou a Aspen com 11kg a menos.

Mas, o sorriso simpático e galanteador nunca deixou de aparecer diante as câmeras.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Nova prisão, nova fuga

Novamente na prisão, ele planejava com muito mais cuidado a segunda fuga, afinal dessa vez ele não queria voltar.

Na noite do dia 30 de dezembro de 1977, ele aproveitou as preparações dos festejos de fim de ano e escala reduzida de funcionários na prisão para colocar em prática a segunda fuga.

À noite, no momento do jantar, ele não fez a refeição. Na cama, colocou também uma pilha de livros e o cobertor por cima para simular o seu corpo.

A fuga dele só foi percebida horas depois no dia seguinte. Ele vestiu um dos uniformes dos guardas e saiu pela porta da frente da prisão de Garfield.

Por incrível que pareça, ele percorreu mais de 2 mil km e chegou à Flórida para colocar em prática os novos crimes. Agora sim, ele estava preparado para chocar ainda mais o país.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Flórida

Ele não esperou muitos dias após a sua fuga para começar os próximos crimes. Ao passo que, em 14 de janeiro de 1978, ele invadiu a casa de fraternidade Chi Omega, na Universidade da Flórida, matou duas estudantes e feriu outras duas Karen Chandler e Katy Kleiner. Elas ficaram tão gravemente feridas que não conseguiram reconhecer Ted Bundy.

Morte de Kimberly Leach e nova prisão

Ainda na Flórida, Ted Bundy cometeu novos assassinatos. Contudo, dessa vez a vítima foi a pequena Kimberly Leach, de 12 anos.

Para pagar suas despesas ele roubava carros e cartões de crédito, normalmente de suas vítimas, além do mais utilizava identidade falsa para se tornar irreconhecível.

Uma semana após o crime contra Kimberly, Ted é preso por dirigir um dos veículos roubados. Ao todo, ele ficou 46 dias em liberdade, mas foram as vítimas da Flórida que conseguiram condená-lo.

Nos julgamentos, era ele mesmo quem fazia suas defesas e, tão confiante era na sua liberdade, que assim mesmo recusou os acordos oferecidos pela justiça.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Características no julgamento

Até nos julgamentos, Ted era sedutor e muito teatral. Assim ele usava dos mesmo artifícios para convencer os juris e a população que era inocente.

No primeiro julgamento, em 25 de junho de 1979, a estratégia não deu certo e, então, ele foi condenado pelas duas mortes das mulheres da Casa da Fraternidade da Universidade.

O segundo julgamento na Flórida, em 7 de janeiro de 1980, e Ted também foi condenado pela morte Kimberly Leach. Apesar de mudar a estratégia e ele não ser o próprio advogado, o juri já estava convencido da sua culpa e o condenou à sentença de morte.

Confissões

Logo após o fim do julgamento e a sentença de morte já determinada, Ted concedeu entrevistas a jornalistas e relatou alguns pequenos detalhes dos crimes.

No entanto, foi para alguns investigadores que ele confessou o assassinato de 36 mulheres e deu muitos detalhes dos crimes e ocultação dos cadáveres.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Diagnósticos

Durante o período de pré e pós-julgamento vários testes psiquiátricos foram realizados. Entre eles alguns identificam transtorno bipolar, transtorno de personalidade múltipla ou transtorno de personalidade antissocial. Mas suas características apresentadas nos crimes e tribunais foram tantas, que os especialistas não chegaram ao fator determinante.

Execução

O momento da execução foi muito esperado pela população, que comemorou nas ruas Raiford, na Flórida. Afinal, foi nesse estado que muitos crimes foram cometidos brutalmente e assustaram a cidade, até então considerada pacata.

E as vítimas?

Há quem prefira se distanciar da glorificação e da áurea de mistério que se criou em torno de Bundy e outros assassinos similares.

“Não quero ouvir mais uma palavra sobre este homem. Sabe de quem quero ouvir falar? Das vítimas. Ou das mulheres que não eram atraídas por ele”, disse a escritora e comediante americana Melanie Hamlett em um artigo recente na revista Glamour.

O fato de que se tenha de recordar os espectadores de que Bundy cometeu crimes assombrosos não surpreende a escritora Rebecca Morris, mas isso a preocupa.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

“Há um perigo em conferir a ele um ar romântico e mitológico. Em meio a seu carisma e a lenda, perde-se a noção do quão impiedosos foram seus crimes. Foram mortes muito brutais.”

Série da Netflix sobre Ted Bundy

No entanto, houve críticas à série por pessoas que consideraram que ela não deu atenção suficiente às vítimas de Bundy e que ele contribui para prolongar o mito em torno do assassino.

Joe Berlinger, diretor da série e diretor do filme sobre Bundy, se defende das críticas destacando que a imagem que ela faz do criminoso não é nada idílica.

Os quatro episódios relatam como os jornalistas Stephen Michaud e Hugh Aynesworth passaram cem horas entrevistando Bundy no corredor da morte em uma prisão do governo na Flórida em 1980.

Nas conversas, até então inéditas, Bundy reflete sobre sua própria vida, ainda que de forma não muito fiel à realidade e, às vezes, refere-se a si mesmo na terceira pessoa.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A série também dá voz a várias pessoas ligadas diretamente a Bundy, como amigos de infância, advogados, detetives e uma mulher que conseguiu sobreviver a um de seus ataques.

Subscribe
Notify of
guest
0 Comentários
Inline Feedbacks
View all comments

Juliane Cunha

27 anos, trabalho na área da saúde. Adoro escrever e também adoro casos criminais, nada melhor que unir o útil ao agradável. Me segue no Instagram @julianesantt | @casocriminal_