Caso Danielle McLaughlin: mochileira e voluntária em seu último destino

Danielle foi atacada e assassinada por quatro homens em Goa, em sua viagem para a India.

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Quem era Danielle McLaughlin?

Danielle tinha 28 anos, nascida em Glasgow, Reino Unido, mas criada em em Buncrana. Estudou e trabalhou em Liverpool, fez faculdade por lá e trabalhava num bar local da região.

Sempre gostou muito de trabalho voluntário, e na época já conhecia muitos países. Após uma temporada na Austrália, Danielle volta a cidade natal já com planos de fazer uma nova viagem estilo “mochilão” para Índia.

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Viagem para Índia

A garota já tinha viajado para Índia um ano antes, mas desta vez foi para uma região chamada Goa, um local muito adorado pelos mochileiros, tranquilo, boas festas e descrito como um “lugar de paz”.

São mais de 100km de praia, e também possui uma região montanhosa com cachoeiras.

O turismo na região é muito grande, o clima quente e úmido favorece viagens turísticas durante o ano todo, inclusive no inverno. Isso faz com que os moradores locais já estejam habituados com viajantes, e não tenham dificuldades de se tornarem próximos.

Danielle chega a Goa no final de janeiro de 2017, acompanhada de uma amiga australiana. Passaram duas semanas hospedadas em uma cabana, onde dividiam a acomodação. Mas a ambição da garota era um pouco maior, ela tinha planos e alugar uma casa e realizar um curso de Yoga, e a partir daí seguir a vida no país.

Holi Festival, 13 de Março de 2017

Holi ou Festival das Cores é um festival realizado na Índia e em alguns outros lugares todos os anos entre fevereiro e março, que comemora a chegada da Primavera. Neste dia, as pessoas atiram tintas das mais diversas cores umas às outras, com muita bebida, comida e música. Uma festa bastante conhecida que atrai milhares de turistas todo ano.

Essa comemoração tem início durante até a tarde e se estende até a noite. Danielle foi vista pela última vez neste evento, em um Resort que fica próximo a praia em que estava hospedada.

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Na manhã de 14 de Março em torno de 7h30min, dia seguinte ao festival, um fazendeiro local ao passar por um campo encontra o corpo de Danielle McLaughlin completamente nu, o rosto desfigurado, diversos machucados e com sinais de mutilação.

O local em que o corpo foi encontrado era próximo a praia, porém com pouca circulação de pessoas.

O fazendeiro rapidamente acionou a polícia. Segundo entrevistas de pessoas que estavam no local, a polícia não isolou devidamente a área, permitindo assim que mais de 20 pessoas chegassem próximas ao corpo, e inclusive tirassem fotos e publicassem na internet. A polícia, por sua vez, nega. Rebatendo que o procedimento padrão foi realizado e em nenhum momento houve negligência.

Início das investigações

Grande parte dos testemunhos obtidos relatavam que Danielle tinha estado com locais durante o dia anterior, a maioria homens, a partir disso a polícia consegue elencar alguns suspeitos e os chama para depoimento.

O taxista de 37 anos conhecido como Camar, era casado e tinha um filho. Ele relatou a polícia que realmente havia passado parte da tarde com a moça, tomaram alguns drinks e depois havia dado uma carona para ela.

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O homem mentiu para a esposa, ele havia dito que se encontraria com alguns amigos. Ele nega que tenha matado a garota, e inclusive em depoimento diz que após deixá-la ao final da carona, ele foi pra casa. E sua esposa foi o seu álibi alegando que realmente ele passou a noite em casa.

A foto foi tirada por volta de 21h15min, e Camar afirma que ao deixá-la, a garota se encontrou com outro homem e saiu na garupa da moto.

A polícia chega a um segundo suspeito, Vikat Bhagat

Vikat Bhagat, de 24 anos é o segundo suspeito elencado pela polícia. A mulher de Camar, o taxista visto na foto segurando a mão da garota, contou aos policiais que na mesma manhã em que o corpo foi encontrado, seu marido recebeu uma mensagem de Vikat que não teve o conteúdo revelado.

Imagens de câmera de segurança indicam que Vikat foi a última pessoa que viu Danielle com vida.

Autópsia do Corpo

Os exames indicaram que a causa da morte foi estrangulamento, vários golpes foram dados com uma garrafa de cerveja, haviam sinais de luta já que as mãos da vítima estavam machucadas. Foi abusada sexualmente e teve o rosto desfigurado intencionalmente para dificultar o reconhecimento. Os legistas indicam também que houve um grande trauma cerebral.

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Acredita-se que o crime foi cometido em um lugar e logo depois o corpo foi levado para o campo onde foi encontrado na manhã seguinte.

Quem era Vikat Bhagat?

Trabalhava como guia turístico, mas realizava essa atividade de maneira ilegal. Possuía ficha criminal, onde constavam pequenos delitos como roubos e furtos e existem rumores de que pertencia a uma gangue local.

Menos de 24h depois do crime Vikat Bhagat já estava preso. Ele tinha marcas de arranhão pelo corpo, suas roupas e moto possuíam manchas de sangue e horas depois uma mochila com pertences e roupas sujas de sangue de Danielle foi encontrada próxima a casa dele.

Uma curiosidade nesse caso chama atenção: Vikat já era amigo de Danielle no Facebook a mais de um ano, os dois trocavam mensagens e se conheceram na viagem anterior à Índia feita pela garota.

Vikat confessa o crime

Num primeiro momento o homem confessa o crime, mas diz a polícia que não agiu sozinho, inclusive cita o nome dos outros envolvidos. A polícia não acredita na versão de Vikat e continua afirmando que o homem cometeu o crime sozinho.

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Em Maio de 2017, através de uma carta de mais de 30 páginas enviada a irmã, o suspeito retira tudo que disse afirma que foi coagido e violentado pela polícia para se declarar culpado. A mídia teve acesso ao documento, mas Vikat foi desacreditado, não haviam evidências sobre o que ele relatava e parecia que essa era uma tentativa de atrapalhar e desacreditar a investigação do caso.

Segundo Vikat, ele e Danielle tinham um relacionamento amoroso, e também passaram parte daquela tarde juntos, bebendo, e que em determinado momento decidiram ir a uma festa encontrar alguns amigos dele. O local da festa não era muito distante, e passava pelo campo onde o corpo foi encontrado, onde pararam para beber e fumar maconha. Nesse momento os amigos de Vikat ligam para ele perguntando se estão a caminho da festa, ele confirma e no mesmo instante surgem três homens de bicicleta.

Os homens eram conhecidos de Vikat e perguntaram se Danielle poderiam manter relações sexuais com eles também. Danielle ficou muito brava com a situação, os homens não se preocuparam com isso e avançaram para cima dela. Enquanto dois homens a seguravam um a estuprava.

Vikat falou que não pôde defender Danielle porque tinha acabado de fazer uma cirurgia no ombro, mas que assistiu todo o episódio de estupro e violência.

Os homens foram embora.

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No dia seguinte os estupradores ligaram para Vikat, alegaram que o que fizeram tinha sido um erro e que estavam sob efeito de drogas, enfatizaram que ele não deveria relatar nada para polícia.

Alguns detalhes

O advogado da família, que também era um local não acredita que o crime foi cometido por um homem só.

O corpo de Danielle McLaughlin foi enviado duas semanas depois para Buncrana, sua cidade local.

A mãe de Danielle sofreu muito na época, a família recém tinha enterrado o avô e o pai da garota.

Abril de 2018, início do Julgamento

O suspeito alegou inocência, disse que não cometeu o crime. A família cobra muito os governos pela demora no processo.

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Uma das testemunhas após dar depoimento, recebeu ligações ameaçadoras, que acredita-se terem sido feitas pela gangue em que Vikat fazia parte.

O processo segue em aberto, sem uma sentença.

Considerações Finais

A polícia segue acreditando que Vikat cometeu o crime sozinho, e nega qualquer suspeita de corrupção fiscal.

O caso de Danielle não foi o primeiro em que uma turista acabou sendo morta em Goa. Existem diversos casos, em situações estranhas, onde família e polícia divergem sobre os acontecimentos.

Existe uma página no Facebook administrada pela família de Danielle, onde buscam por justiça. Para finalizar deixo aqui um relato que encontrei por lá.

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“Como todos vocês sabem Danielle viveu a vida ao máximo, ela foi para vários locais fazer voluntariado… Ela queria causar um impacto neste mundo, e assim ela o fez… Ela foi voluntária em um orfanato, ajudou com as próprias mãos a construir uma escola no Nepal. Ela não era uma santa, mas era gentil com todo mundo, tratava todos da mesma forma, e saia do seu próprio caminho para ajudar quem precisasse. Sempre viu a bondade em todo mundo, sempre respeitou a cultura de todos os países que visitou. Foi por isso que colecionou muitos amigos, pessoas que podiam chamar ela de amiga.”

Texto escrito por amigos e família, na véspera do aniversário em que faria 31 anos.

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Juliane Cunha

27 anos, trabalho na área da saúde. Adoro escrever e também adoro casos criminais, nada melhor que unir o útil ao agradável. Me segue no Instagram @julianesantt | @casocriminal_