Judith Barsi, morta pelo próprio pai aos dez anos de idade

Judith Barsi, atriz de Hollywood famosa por estrelar comerciais para grandes marcas. Morreu com um tiro na cabeça aos 10 anos de idade. O assassino? Seu próprio pai.

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Quem era Judith Eva Barsi?

Judith era filha de József Barsi e Maria Virovcz, ambos imigrantes Húngaros fugidos da ocupação soviética, por volta de 1956. O casal se conheceu anos depois em um restaurante de Los Angeles muito frequentado por imigrantes, onde Maria era garçonete.

József Barsi e Maria Virovc, pais de Judith

József, antes de casar com Maria, teve um primeiro casamento conturbado. Marcado por abuso, violência física e alcoolismo por parte de József Barsi, o relacionamento anterior teve como fruto dois filhos, Ági Barsi e Barna Barsi que foram abandonados pelo pai que se mudou para Califórnia.

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Maria Virovcz teve um pai abusivo, tanto física quanto psicologicamente. Sempre sonhou em ser atriz, mas nunca houve espaço para isso em sua vida financeira apertada. Apaixonou-se no mesmo instante em que conheceu József Barsi sentado no bar do restaurante, e para ela aquele homem seria capaz de amar e proteger a família que tanto sonhara construir. Eles se casaram ao final da década de 70.

Judith Barsi foi o único fruto deste casamento.

Maria via na filha a chance de realizar seu sonho através dos feitos de Judith, e desde muito nova passou a prepará-la com aulas de dança, postura e atuação. Judith amava isso, não fazia nada por obrigação, e esse era um momento de pura diversão para as duas.

Diferentemente do que todos pensavam, que jamais seria uma atriz e que a chance era uma em um milhão, Judith foi descoberta, aos cinco anos de idade, por um agente em um ringue de patinação. A garota chamou a atenção por aparentar ter dois anos a menos e ser extremamente comunicativa e desenvolta.

Uma carreira em ascensão

Após este episódio a carreira de Judith decolou. Ela passou a ganhar cerca de 100 mil dólares por ano, o que possibilitou a mudança da família para uma casa maior.

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A menina começou a estudar em uma escola local, em Nevada. Ela faltava muito ás aulas devido à gravações e seus compromissos como atriz.

Tempos após essa mudança, o pai de Judith começou a apresentar um comportamento um tanto paranoico. Em um desses episódios ele mandou construir uma cerca de ferro ao redor da casa, o que pareceu bem estranho, já que nenhuma das casas do subúrbio onde moravam era cercada e a área era extremamente segura.

Ao contrário de József, Maria era extrovertida e comunicativa. E foi através de conversas com os vizinhos que o passado de seu marido começou a vir á tona.

Judith começa a estrelar papéis de sucesso

Judith começou a aparecer em muitos comerciais, grande parte deles para marcas famosas como o Mc Donald’s. Assista o comercial completo no YouTube.

Foi aí que a equipe da minissérie Fatal Vision a descobriu. Após fazer um teste, a garota recebeu o papel de Kimberly MacDonald.

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À medida em que o sucesso de Judith aumentava, seu pai se tornava mais ciumento e abusivo. Chegando a ameaçar se matar, e matar sua família caso fosse abandonado. O alcoolismo, que já era um problema, piorou muito. Como resultado, ele teve três prisões por dirigir embriagado.

Em dezembro de 1986, Maria foi a uma delegacia denunciar o abuso que vinha sofrendo. Após a polícia desacreditá-la, dizendo que não havia nenhuma “prova física” do que estava falando, a mãe de Judith desistiu de prestar queixa.

Após este episódio József parou de beber, mas as ameaças e xingamentos não acabaram. Judith vivia num ambiente péssimo, as discussões e as agressões físicas eram frequentes.

O homem batia no rosto da esposa, tentou sufocá-la por várias vezes e escondia cartas de familiares de Maria, na tentativa de impedir que ela se comunicasse com eles e viajasse para fora da América.

Tricotilomania e sobrepeso

No início Judith não apresentava sinais de que algo estava errado, mas ao passo que a violência aumentava ela começou a ganhar peso e arrancar os próprios cílios. A menina passou também a torturar o gato da família, puxando seus bigodes.

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Apesar de terem melhorado muito de vida, de estarem morando em uma casa confortável e podendo usufruir de uma ótima condição de vida, József nunca estava satisfeito.

Um vizinho, em entrevista, relembrou um episódio em que József relatou que sentia inveja de Judith, por ela prover para a família aquilo que ele nunca pôde. E a considerava uma garota ingrata. Ele dizia que ela não sabia o quão difícil era precisar fugir de um país em guerra.

Outro morador local relatou, que certa vez o pai quebrou brinquedos da garota no quintal, por considerá-la mimada e protegida demais.

Na época Judith tinha 6 anos, era apenas uma criança.

“Em busca do Vale Encantado”, SIM, SIM, SIM!

Um dos trabalhos mais queridos e famosos de Judith, lançado após sua morte, foi a dublagem da personagem Ducky, para o filme Em Busca do Vale Encantado.

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Os produtores acharam que sua voz casaria perfeitamente com o personagem, e ao convidá-la para o trabalho Judith respondeu extremamente eufórica “SIM, SIM, SIM!”. Expressão essa que mais tarde foi incorporada ao personagem e virou a marca registrada de Ducky no desenho.

Ouça a voz de Judith dublando Ducky

A violência se intensifica dentro de casa

József, que antes agredia fisicamente somente a Maria, começou a direcionar sua frustração para Judith. Puxava seu cabelo e a perturbava, tudo porque se sentia incomodado com a atenção que a pequena estrela recebia das pessoas.

Maria fazia de tudo para tirar sua filha de casa, nem que fosse por pequenos momentos. As duas frequentavam parques, almoçavam em restaurantes e costumavam visitar amigos que moravam perto. Ela se esforçava para que a vida de Judith fosse o mais normal possível apesar do que acontecia na família.

10 de Junho de 1986, Judith completa oito anos

A festa de aniversário foi comemorada em uma pista de boliche, seu pai não compareceu. Um dos pais dos amigos de palco convidados, relata que Maria disse a ele que József não viria, pois estava dormindo bêbado no sofá.

Uma das formas que o marido usava para impedir que esposa e filha tentassem fugir, era sempre mostrar a elas onde guardava um galão de gasolina. Logo em seguida ele descrevia como se utilizaria deste para carbonizar seus corpos enquanto dormiam.

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“Tubarão, a vingança”, o primeiro longa metragem de Judith Barsi

Judith foi convidada para estrelar seu primeiro filme em Tubarão, a vingança. As gravações seriam nas Ilhas Bahamas.

Quando József soube disso, adentrou em seu quarto e enquanto a garota preparava as malas com a mãe, as ameaçou de morte caso ousassem fugir durante as gravações. O pai da garota não as acompanhou na viagem.

Na praia, entre uma cena e outra Maria chorava, e dizia a várias pessoas que temia pela vida de Judith. Mas as pessoas pararam de levá-la a sério, pois para cada um ela dizia uma coisa, e por muitas vezes parecia confusa nos relatos. Ora dizia que ia se separar e fugir, e ora mostrava-se arrependida do que havia dito.

Ao final das gravações, Maria já tinha duas passagens compradas para Nova York, cidade esta em que poderia ficar hospedada na casa de um primo e espairecer do ciclo de violência.

Na tarde do último dia, por ligação telefônica o pai de Judith reforça as ameaças de morte contra a família, e isso faz com que Judith entre em pânico e a mãe desmorone em lágrimas, desistindo da viagem.

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Elas acabaram voltando para casa.

9 anos de idade, pressionada a crescer

Judith teve um problema com sua glândula pituitária, responsável pelo hormônio do crescimento. Isso atrasava seu desenvolvimento e a impedia de interpretar personagens da sua própria idade.

Maria começou um tratamento com injeções de hormônio sob a supervisão de um hospital local.

As duas começaram a alugar um apartamento durante o dia em Panorama City, onde passavam a maior parte do tempo a fim de fugir dos abusos.

Ela continuava a estrelar em filmes e comerciais. Nas gravações de uma dessas produções Judith caiu em lágrimas enquanto cantava uma música, e neste momento contou tudo que vinha sofrendo para sua agente.

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Maria foi orientada a procurar um psiquiatra infantil, e após a primeira sessão Judith foi denunciada a assistência social como uma criança abusada.

A mãe foi questionada ostensivamente, mas não se sabe se József foi investigado.

Em junho de 1988, József entrou em contato com seus filhos do primeiro casamento. Nesta ligação informou que estava ansioso para vê-los e que eles tinham uma irmã menor, Judith. Os filhos aceitaram o convite, e chegaram bem a tempo do décimo aniversário de sua irmã menor.

Ági, a irmã de 30 anos, começou a perceber algo de errado no comportamento de Judith, e ao questionar Maria teve a confirmação do que temia. Ela ofereceu ajuda, disse que facilitaria a fuga, mas a mãe tinha outro plano: deixar a casa tão bagunçada e nojenta a ponto de József não aguentar mais e ir embora.

Maria não achava justo abrir mão de tudo que Judith havia conquistado com seus trabalhos.

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Tempos depois Maria notificou o serviço social de que estava se separando de seu marido, imediatamente eles deram o caso Judith como encerrado. A mãe planejara mudar-se aos poucos para o imóvel alugado em Panorama City, e até a descontar alguns cheques antes que o marido soubesse para fazer uma reserva financeira. Ela parecia determinada desta vez.

25 de Julho de 1988, o fim

Na manhã desta segunda-feira, Judith foi vista andando de bicicleta na rua onde morava e a tarde tinha uma reunião com um importante estúdio de cinema. Ela nunca compareceu a este encontro.

Especulou-se que naquela manhã o casal teria tido mais uma briga violenta e Judith ficou chateada e não quis ir. O que se sabe com certeza é que a menina e a mãe vestiram os seus pijamas e foram para suas camas, mas József não.

Ele teria ficado pensando o que faria a seguir. Os investigadores acreditam que ele teria descoberto que Maria tinha um plano de fuga e um apartamento já alugado.

Por volta da meia noite, József pegou sua pistola calibre 32 e entrou no quarto da filha, a matou com um único disparo na cabeça, ao lado da orelha direita.

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Ao ouvir o tiro Maria teria saído correndo pelo corredor para confrontar seu marido, mas não teve chance, foi forçada a se ajoelhar e também recebeu um tiro na cabeça.

Ele continuou na casa pelos próximos dois dias, vivendo como se nada tivesse acontecido. Ransey, a agente de Judith, ao sentir sua falta fez uma ligação para a casa dos Barsi ao meio dia do dia 26.

József atendeu, e ela ficou surpresa.

Ao perguntar por Maria e Judith, o marido respondeu que elas haviam fugido para San Diego e que um carro preto as tinha buscado. E acrescentou ainda que ele só estava na casa para pegar alguns pertences e dar um “último adeus”.

A agente não engoliu a história, repetiu as ligações durante a tarde para ver se Maria atendia, mas não houve retorno.

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Na manhã de 27 de Julho, por volta das 8h30min, uma vizinha que regava seu jardim ouviu uma explosão vindo dos Barsi. Muita fumaça começou a sair pelo telhado e rapidamente a casa inteira estava em chamas.

Os bombeiros chegaram rapidamente e conseguiram conter o fogo. Logo após 3 corpos foram encontrados na residência.

No corredor foi encontrado o corpo de Maria Barsi, que estava com 48 anos de idade.

Judith, que tinha apenas 10 anos, foi encontrada em sua cama e ao lado dela havia um galão de gasolina.

E por fim József Barsi, de 55 anos de idade, foi encontrado na garagem com um tiro disparado por ele mesmo em sua cabeça.

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Mais tarde foi concluído que o barulho de explosão ouvido pela vizinha foi o disparo de arma de fogo feito por József contra si mesmo.

O legista concluiu que todos os membros haviam morrido antes da fumaça se alastrar, já que não haviam resquícios de fumaça em seus pulmões.

Judith e Maria Barsi foram enterradas em um mesmo túmulo, não identificado, que anos depois recebeu uma lápide com o nome das duas.

Considerações Finais sobre o caso Judith

A polícia de Los Angeles e o Serviço de Proteção a criança falharam. A família de Judith nunca foi submetida a visitas periódicas e o pai não chegou sequer a ser investigado.

Dois meses após a morte da família e através de uma denúncia de um Jornal, fundos foram arrecadados para que os assistentes sociais não ficassem sobrecarregados, e uma nova política foi imposta em Los Angeles: antes de qualquer caso ser encerrado a família deve sempre ser visitada.

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Diversas ações de proteção a criança foram criadas e alimentadas após este caso.

A casa da família foi reparada e vendida para uma nova família.

Residência Barsi, assombrada?

O desconforto revelado pelos membros da família Bernal, residentes do imóvel na cidade de Canoga Park, na Califórnia há 19 anos, veio à público durante a participação deles no programa de reformas “Murder House Flip”.

“Quando nos mudamos não sabíamos nada sobre essa casa”.

Contou Gaby Bernal, que ocupa o quarto no qual a atriz foi assassinada.

De acordo com os Bernal, é constante a sensação de uma “presença sombria” e coisas estranhas acontecem constantemente no interior da residência – eles citam portas abrindo e fechando sozinhas e ventos gelados que percorrem o imóvel.

A família manteve inclusive vários apanhadores de sonhos espalhados pela casa, principalmente no quarto que pertencia para Judith, para amenizar um pouco as tensões sentidas por eles. Depois eles se inscreveram no reality de reformas para conseguir que a casa deles ganhasse novos ares e se tornasse mais confortável para todos.

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A casa então passou por mudanças extremas, eliminando várias características e elementos que vinham sendo mantidos desde sua construção e do assassinato de Judith Barsi e sua mãe.

Confira abaixo o trailler oficial do programa.

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Juliane Cunha

27 anos, trabalho na área da saúde. Adoro escrever e também adoro casos criminais, nada melhor que unir o útil ao agradável. Me segue no Instagram @julianesantt | @casocriminal_