Caso Sophie Lionnet, homicídio seguido de incineração

Casal inglês espanca, tortura e assassina a jovem Sophie Lionnet. Garota trabalhava como Au Pair para a família. Caso mostra vulnerabilidade das babás em intercâmbio.

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O caso de Sophie revela a vulnerabilidade do trabalho das babás, geralmente mulheres jovens que, no caso do Reino Unido, chegam ao país para aprender inglês, enquanto cuidam de crianças em troca de comida e de um quarto, mas que muitas vezes se tornam vítimas de abuso.

Quem era Sophie Lionnet?

Nascida em 7 de Janeiro de 1996, em Troyes na França, Sophie de 21 anos era uma jovem tímida, não falava muito e não tinha pretensão alguma de morar fora do país.

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Seu objetivo, ao realizar o intercâmbio, era melhorar seu inglês e fortalecer o currículo já que vinha de uma família humilde, com pais divorciados. A jovem estudou Educação Infantil e tinha facilidade com crianças.

Surge a oportunidade de AU PAIR na Inglaterra

AU PAIR: O programa de Au Pair, constitui-se basicamente por uma pessoa que vai para outro país morar com uma família, e tem como trabalho cuidar das crianças que ali residem. É o programa de intercâmbio mais barato que existe no mercado, por isso ele é bastante procurado. Você ganha um salário bem baixo, como uma ajuda de custo, todavia não precisa se preocupar com gastos de alimentação e moradia e ainda acaba tendo uma experiência no exterior.

Em Dezembro de 2016, após diversas tentativas fracassadas de encontrar emprego, uma amiga de Sophie comentou sobre realizar um intercâmbio remunerado.

A ideia parecia boa, ser babá em Londres. Nada que fosse muito difícil, já que possuía experiência com crianças e de quebra melhoraria muito seu inglês. Ela se candidatou.

É importante mencionar que até então a garota nunca havia saído da França.

Primeiro contato com a host family

Sophie foi aceita no programa, e ao entrar em contato com a host family soube que teria que cuidar de duas crianças, uma de 4 e outra de 9 anos.

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Ela ficou animada, a host mom disse que trabalhava no mundo da moda e que facilmente poderia apresentar pessoas famosas a ela, e ainda por cima o casal era francês, o que facilitaria muito a comunicação.

Sophie na Inglaterra

Em dezembro de 2015, Sophie embarca para Inglaterra. Em Janeiro de 2016, quando completou 20 anos a garota demonstrava estar feliz no novo país, as publicações em redes sociais e o contato com a família traziam sempre notícias positivas.

Segundo alguns relatos de vizinhos, a Au Pair passava 24h do dia com as crianças, alguns chegaram até a comentar que ela não parecia uma babá e sim alguém da família, já que dedicava tanto tempo aos filhos do casal.

As coisas na casa começam a ficar estranhas

A mãe de Sophie relata que após o primeiro ano de intercâmbio, a filha começou a expressar o desejo de retornar para casa, mas que o alto custo das passagens a impedia. E sem dar mais detalhes, volta e meia fazia esse comentário.

Certa vez a garota relatou que havia tido um desentendimento e iria embora, logo em seguida Sabrina, a host mom, retornou a ligação para a mãe de Sophie contornando a situação. Na ocasião ela descreveu o episódio como “um problema pequeno” e que tudo ficaria bem. Foi decidido então que ela não retornaria à França.

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Sophie tinha boas relações na vizinhança inglesa, e eventualmente chegou até a se abrir com alguns amigos da comunidade dizendo que a vida na casa estava conturbada e que havia apanhado de Sabrina por ter deixado a manteiga cair no chão. Mas nenhum vizinho se envolveu e a história permaneceu em segredo.

Jaymani Patel, que trabalha em uma loja perto da casa da família, explicou que via Sophie várias vezes por semana, e que era uma menina “tímida” que “sempre sorria”.

Em dado momento a babá parou de frequentar a comunidade, não era mais vista na rua. Algumas pessoas estranharam e chegaram até a questionar Sam, marido de Sabrina, que era bastante evasivo nas respostas dizendo que ela tinha saído ou estava envolvida com tarefas.

Em uma das ocasiões, Brown, que descreveu Sabrina Kouider como “agressiva e violenta”, lhe pediu: “‘Você pode parar de gritar assim com a menina?’ Ela me respondeu que era preguiçosa, que não cozinhava, que não fazia nada”.

O homem explicou que em uma ocasião em que visitou a casa levou dois “hachis parmentier”, um picadinho de carne e purê de batatas típico da França, e que um era especificamente para Sophie, porque parecia “faminta.

Dia do Caso: 20/09/2017

Vizinhos viram uma fumaça preta e um cheiro estranho vindo do quintal da família. Era sabido que haviam crianças na casa, então rapidamente algum deles acionou o corpo de bombeiros, a fim de conter o possível incêndio o mais rápido possível.

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Ao chegarem, os bombeiros se depararam com Sam em frente à churrasqueira. De fato haviam pedaços de frango na grelha, mas o espanto dos militares se deu ao apagar a fogueira ao lado da churrasqueira, onde Sam tinha dito que estava “assando um cordeiro”.

Foram encontrados, entre as cinzas, roupas, um pedaço de óculos, um bracelete e pasmem: um pedaço de nariz e dedos humanos.

“Por que você está queimando um corpo?”, perguntou o bombeiro Thomas Hunt, após ver dedos e um nariz, como ele mesmo contou no tribunal. “É um cordeiro”, respondeu Sam Ouissem Medouni, que parecia calmo — acrescentou Hunt.

Sam seguiu em negação, a polícia foi acionada e ele continuou a repetir as palavras “eu estava apenas assando um cordeiro” até que se calou e seguiu até o departamento de polícia sob custódia. A cena era criminal e rapidamente começa uma investigação.

A investigação

Ao chegar na delegacia o homem permaneceu detido e um contato telefônico foi feito com Sabrina, onde a mesma disse não ter ideia do que estava acontecendo, já que quando saiu com as crianças para o parque tudo parecia normal.

Ao ser questionada sobre a babá, Sabrina fugia das respostas, dizendo que Sophie havia se demitido há dois dias e voltado para casa e que desde então não deu mais notícias. A polícia percebeu que havia algo suspeito e a host mom foi detida junto ao marido.

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Sabrina nega qualquer envolvimento com o caso, e dá um depoimento negativo sobre a garota, dizendo que ela “se achava dona da casa”, não queria trabalhar, negava cuidados às crianças e passava horas deitada no sofá mexendo no celular.

A impressão dos policiais era de que Sophie tinha sido uma grande decepção para a família. As acusações não pararam por aí, a jovem foi acusada de roubo e de se envolver com pessoas que praticavam atividades ilícitas.

Descobertas Chocantes

A partir daqui, os fatos citados são relatos de pessoas próximas e provas que foram encontradas na casa e em dispositivos eletrônicos do casal.

Durante o primeiro ano de intercâmbio tudo parecia bem, até que em dado momento Sophie virou um alvo para Sabrina e a primeira acusação contra a menina foi de um roubo de anel.

Os documentos e passaporte dela foram confiscados, o salário deixou de ser pago e ela era constantemente coagida a assumir em gravações de áudio e vídeo que era culpada.

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A francesa negava, e por consequência disso e somado a delírios de Sabrina, ela começou a passar fome e não podia mais manter contato com a família.

Segundo Sabrina, Sophie tinha um caso amoroso com seu ex-marido e pai de um de seus filhos, Mark, que era empresário e produtor musical de grandes celebridades. Ela chegou a dizer que viu os dois juntos na rua e afirmou que eles mantinham relações sexuais e faziam parte de um complô contra a família.

Julgamento

O julgamento começou seis meses após a morte da vítima.

Os dois acusados se declararam inocentes do assassinato, mas culpados de obstruir a justiça por terem tentado queimar o corpo. Sabrina disse aos investigadores que a ‘au pair’ havia “drogado” a sua família como parte de sua campanha de espionagem à serviço de Mark.

Na terça-feira, no segundo dia de julgamento, a audiência escutou trechos de mais de oito horas de gravações de áudio em que Lionnet era interrogada pelo casal.

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Segundo Kouider, a jovem admitiu que trabalhava para Walton, que tinha lhe pagado 20.000 euros.

O tribunal também assistiu a um vídeo da jovem abatida, admitindo o suposto complô – uma confissão arrancada sob pressão, segundo a promotoria.

“Apenas Kouider e Medouni sabem exatamente como mataram Sophie, mas a Procuradoria buscou provar que morreu como resultado de uma violência contínua e decidida, e não por acidente.”

disse a procuradora Aisling Hossein.

O casal foi condenado à prisão perpétua, o crime é realmente cruel e fica difícil compreender de onde veio tanto sangue frio do casal. Há relatos de que Sabrina era mentalmente instável, e que o marido agia como marionete em suas mãos devido a grande dependência emocional que tinha.

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Juliane Cunha

27 anos, trabalho na área da saúde. Adoro escrever e também adoro casos criminais, nada melhor que unir o útil ao agradável. Me segue no Instagram @julianesantt | @casocriminal_