Sylvia Likens, torturada até a morte por Gertrude Baniszewski

Sylvia Marie Likens foi uma adolescente norte-americana torturada até a morte pela mãe, irmãos e até outras crianças da vizinhança. Um filme foi gravado para retratar o caso.

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Por estar em uma família conturbada, Sylvia Likens tinha muita pouca atenção de seus pais. Por causa disso, começou a conviver cada vez mais com Gertrude Baniszewski, que viria a se tornar um grande pesadelo em sua vida.

Gertrude vivia um looping infinito de violência, abuso, submissão e necessidades financeiras extremas que lhe fizeram tirar os pés da realidade e cometer crimes bárbaros, até resultar na morte de Sylvia Likens.

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Quem era Gertrude Baniszewski?

Nascida como Gertrude Nadine van Fossan, ela era filha de Hugh e Mollie van Fossan, a terceira de seis irmãos. Cinco anos após a morte de seu pai, ela abandonou a escola e se casou aos dezesseis anos com John Baniszewski, com quem ela teve quatro filhos.

Após o término do casamento de dez anos, Gertrude se casou com Edward Guthrie, teve mais dois filhos e veio se separar novamente em 1963. Então com 34 anos, Gertrude se casou com Dennis Lee Wright, de vinte e três anos, que era extremamente violento e agressivo.

Eles tiveram um filho, Dennis Jr, mas logo após isso Wright a abandonou e desapareceu.

Gertrude passou a enfrentar dificuldades financeiras, dependendo apenas da pensão alimentícia que recebia de seu primeiro marido, John Baniszewski e de alguns trabalhos esporádicos na vizinhança como costuras e serviços domésticos.

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Sylvia Likens e sua relação com seus pais

Sylvia Likens era a terceira filha de um casal de atores circenses, Betty e Lester Likens. Ela era filha do meio entre dois conjuntos de gêmeos: Diana e Daniel dois anos mais velhos e Jenny e Benny que eram um ano mais novos.

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O casamento dos pais da Sylvia Likens era instável, e eles viviam se mudando diversas vezes. Sylvia constantemente era obrigada a ficar com parentes ou conhecidos quando seus pais estavam em turnê com o circo.

Em seus 16 anos de vida, Sylvia morou em nada menos que 14 endereços diferentes. Antes ela era deixada na casa da avó ou viajava com os pais quando eles não encontravam ninguém para cuidar dela e da irmã.

Sua irmã Jenny Likens

Em 1965, Sylvia e sua irmã Jenny estavam morando com a mãe em Indianápolis, mas logo ela estaria viajando com o circo novamente. Lester Likens, que havia se separado da mulher recentemente, deixou as duas filhas com Gertrude Baniszewski, mãe de Paula, uma garota que as as irmãs haviam conhecido.

Houve um episódio nessa mesma época, em que a mãe das garotas foi presa por furtar uma loja de roupas. Sendo esse o momento em que se afastou das filhas definitivamente.

Apesar de Gertrude e suas sete crianças serem pobres, Lester Likens, em seu depoimento, disse que não adentrou ao interior da casa para ver suas condições para receber as filhas, mas encorajou Baniszewski a “endireitar suas filhas assim como fazia com as próprias crianças”.

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Começo dos abusos

Em agosto de 1965, Baniszewski começou a ofender, humilhar e bater em Sylvia Likens, além de permitir que seus filhos e outras crianças batessem nela.

Baniszewski acusava as garotas de serem prostitutas, e dava sermões sobre esses assuntos para as crianças sempre usando as Likens como exemplo.

Haviam rumores de que as Likens haviam dito no colégio que duas das filhas de Baniszewski, Paula e Stephanie, “faziam sexo por dinheiro“, segundo a versão de Gertrude, o namorado de Stephanie, Coy Hubbard, e outros colegas dele foram convidados para assistir Gertrude a agredir Sylvia.

A própria irmã de Sylvia, Jenny, era obrigada a bater na vítima.

Logo Sylvia foi tirada da escola, e os abusos se intensificaram ainda mais. Certa vez, após acusar a menina novamente de ser uma prostituta, Gertrude chamou os meninos da vizinhança e obrigou Sylvia a enfiar a boca de uma garrafa de coca cola na vagina. A partir deste momento os delírios de Gertrude só aumentaram.

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Trancada no porão

Os abusos se intensificaram, e Sylvia foi retirada da escola e proibida de sair de casa. Depois, foi trancada no porão e obrigada a ingerir as próprias fezes e urina. Nessa época, Gertrude, usando uma agulha aquecida, tatuou na barriga de Sylvia a frase “Sou uma prostituta e tenho orgulho disso”.

Gertrude também obrigou Sylvia a escrever uma carta para os pais, na qual contava que era prostituta e que iria fugir de casa.

Sylvia tentou fugir após ouvir que a mulher planejava deixá-la em um bosque para morrer. Magra, fraca e desnutrida foi pega, colocada novamente no porão e agredida.

Morte

Em 24 de outubro de 1965, Coy Hubbard bateu violentamente na cabeça de Sylvia com um cabo de vassoura. Dois dias depois, após diversas agressões repetidas, ela morreu devido a uma hemorragia cerebral, de acordo com os relatórios médicos.

Assim que Stephanie e o garoto Richard Hobbs perceberam que Sylvia não estava respirando, tentaram aplicar respiração boca-a-boca, mas notaram que era tarde demais.

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A família, então, resolveu chamar a polícia e mostrar a carta que Sylvia havia escrito, obrigada por Gertrude. Jenny Likens abordou um dos policiais e sussurrou: “Me tire daqui e contarei tudo”.

Julgamento

Baniszewski, seus filhos, Hobbs, e Hubbard foram presos sem direito a fiança, até o julgamento. Um exame de autópsia feito depois revelou que Sylvia tinha diversas queimaduras, contusões musculares e inúmeras lesões físicas.

Perto da morte, os lábios vaginais de Sylvia estavam quase que separados um do outro. Sua cavidade vaginal estava inchada, mas os exames provaram que ela ainda era virgem, sendo que seu hímen estava intacto. A causa oficial da morte foi hemorragia cerebral, além de lesões prolongadas em sua pele.

Gertrude Baniszewski foi acusada de assassinato em primeiro grau. Ela foi sentenciada a prisão perpétua sem direito a condicional.

Após apelar, Baniszewski ganhou um novo julgamento, mas foi novamente condenada. Nos 18 anos em que ficou presa, Gertrude foi uma prisioneira modelo, trabalhando na oficina de costura, se tornando uma espécie de mãe para as outras detentas.

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Quando foi anunciado que ela iria sair em condicional da prisão, houve uma grande polêmica na comunidade de Indiana. Jenny Likens e sua família apareceram na TV para protestar contra a libertação, grupos de proteção a pessoa também se manifestaram, sendo que no decorrer de dois meses um grupo coletou assinaturas de moradores de Indiana contra Gertrude.

Apesar de tudo, ela conseguiu a liberdade, e se declarou culpada sobre tudo que havia ocorrido com Sylvia. Baniszewski saiu da prisão em 4 de dezembro de 1985 e viajou para Iowa, onde morreu de câncer no pulmão cinco anos depois, em 16 de junho de 1990, com 60 anos.

Destino dos envolvidos

Richard Hobbs morreu de câncer de pulmão com 21 anos, quatro anos depois de deixar o reformatório. 

Após o massacre na Westside Middle School, John Baniszewski, chamando a si próprio de John Blake, fez uma declaração dizendo que jovens criminosos não são irrecuperáveis, descrevendo como ele conseguiu superar seu passado de crimes.

Ele morreu em um hospital de Lancaster, Pensilvânia, em decorrência de complicações de diabetes, em 19 de maio de 2005. Estava com 52 anos, sendo casado e pai de três filhos.

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Coy Hubbard, o namorado de Stephanie Baniszewski que usou golpes de judô contra Sylvia, passou a vida saindo e entrando na cadeia, tendo sido acusado tempos depois de assassinar dois homens. Ele morreu com 56 anos de ataque do coração em 23 de junho de 2007 em Shelbyville, Indiana. Deixou uma esposa, cinco filhos, dezessete netos e um bisneto.

Paula Baniszewski, que foi presa junto da mãe com dezessete anos, foi condenada à vinte anos de prisão. Enquanto presa, deu à luz uma menina (inicialmente chamada Gertrude) que mais tarde foi adotada. Ela realizou uma tentativa fracassada de fuga da prisão em 1971. Em 1972 recebeu condicional e assumiu uma nova identidade. Ela acabou casando e tendo dois filhos. Últimos indícios afirmam que ela vivia em uma fazenda em Iowa, com relatos recentes afirmando que estava morando na cidade de Marshalltown, ainda em Iowa.

No ano de 2012, uma assistente escolar no estado de Iowa foi suspensa da escola de nível médio do distrito. Segundo consta, ela trabalhava no local como professora substituta desde 1996. Após uma denúncia anônima, que começou com um rumor postado no Facebook, foi denunciado para a polícia que a mulher chamada de Paula Pace era na verdade Paula Baniszewski, e que queriam que as pessoas soubessem de seu passado criminoso.

A administração não informou o motivo da suspensão de Pace, mas reuniões foram agendadas para discutir o caso. Após uma investigação, Pace foi demitida pela prefeitura de Conrad. Segundo o representante da prefeitura, ela teria dado informações falsas durante o processo de contratação, e se recusou a dar mais explicações.

As acusações de participação de Stephanie Baniszewski, segunda mais velha, na morte de Sylvia foram retiradas depois que ela colaborou com a justiça. Ela virou professora e teve vários filhos. 

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As acusações de participação no crime de Anna Ruth Siscoe, Judy Darlene Duke, Michael John (Mike) Monroe, e Randy Gordon Lepper foram retiradas. Randy Lepper morreu em 14 de novembro de 2010 em Indianapolis com 56 anos. 

Em 10 de maio de 2015, a irmã de Sylvia, Diana, agora usando o nome Dianna Bedwell e seu marido Cecil Knutson foram declarados desaparecidos por seu filho, Robert Acosta. Dianna e Cecil foram vistos jogando em um dos casinos em Valley View, na California. Ambos foram gravados pelas câmeras de segurança deixando o local por volta das duas da manhã por carro, não aparecendo na casa do filho em La Quinta.

Acosta contatou a polícia e apareceu na mídia pedindo informações sobre o paradeiro de seus pais. Quinze dias depois, em 25 de maio, o casal foi encontrado em uma parte remota da Califórnia. Cecil havia morrido, e Dianna estava severamente desidratada após sobreviver apenas de água de chuva e algumas sobras de comida. Dianna foi levada de helicóptero para o hospital, tendo relatado aos investigadores que ela e o marido estavam buscando um atalho quando se perderam e atolaram o carro. 

Obras criadas com base neste caso

O filme “Um crime americano”, lançado em 2017, conta a história de Sylvia em detalhes. Existe outro longa metragem também, “A menina da porta ao lado”, que apesar de alterar alguns acontecimentos mantém os detalhes sobre a crueldade e a tortura imposta no caso Likens.

Existe também uma obra literária, produzida pela DarkSide, “A Garota da Casa ao Lado” que retrata o caso em uma leitura perturbadora e chocante. Sou um pouca suspeita pra falar já que sou fã dessa editora 100% brasileira e sempre indico aqui, mas posso garantir que a leitura vai ser impecável e os livros além de serem bem escritos contam com capa e designs únicos, difícil não querer fazer coleção.

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Juliane Cunha

27 anos, trabalho na área da saúde. Adoro escrever e também adoro casos criminais, nada melhor que unir o útil ao agradável. Me segue no Instagram @julianesantt | @casocriminal_