Caso Victoria Natalini, desaparecida em excursão escolar

Estudante paulista de 17 anos que desapareceu em excursão da sua escola. Ela foi encontrada morta. Victoria era uma menina calma e tranquila.

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Quem era Victoria Natalini?

Victoria Natalini, adolescente de 17 anos, nascida em 02/07/1998 em São Paulo, filha do Engenheiro João Carlos Natalini que atua no ramo de marketing, mais precisamente em projetos envolvendo a área da saúde.

A jovem foi descrita pela família em entrevistas como uma menina calma, dócil e organizada com os estudos. Segundo os pais, a menina tinha o sonho de ser Chef de Cozinha e era extremamente apegada aos avós.

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Dia do Caso: 16/09/2015

Um grupo de alunos da escola Waldorf Rudolf Steiner viajaram para a “Fazenda Pereiras”, em Itatiba no interior de SP. A atividade escolar curricular a ser desenvolvida pelo grupo viajante consistia em um estudo topográfico, onde a turma iria calcular e medir a área do terreno em um equipamento.

A atividade valia nota, os 34 alunos foram divididos em trios, e o grupo de Victoria contava com ela, mais uma menina e um menino.

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Sede da Fazenda Pereiras

Segundo a reportagem do Jornal Folha de São Paulo, nesse local os grupos de alunos ficavam espaçados, sem supervisão e no entorno do terreno haviam várias casas de colonos, funcionários da fazenda e também de trabalhadores que estavam restaurando uma igreja na época.

Tal fato evidencia falta de segurança no local. Acompanhando o grupo, haviam 3 topógrafos, 1 professor de matemática e uma tutora.

Segundo relatos dos próprios alunos, por volta das 14h30min Victoria teria dito aos mesmos que precisava ir ao banheiro que ficava na sede da fazenda, há 500m do local onde estava sendo realizada a atividade.

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A atividade em campo deu-se por encerrada, todos voltaram a sede e Victoria ainda não tinha voltado. Esse espaço de tempo compreende cerca de 2h30min desde a ausência da garota. Os colegas indagaram os professores, que rapidamente começaram as buscas nos alojamentos e matos da redondeza. Victoria não foi encontrada.

“Quando foi quatro e meia da tarde, então, os colegas dela desceram, perguntaram da minha filha”, diz o pai. “A professora pediu que eles fossem até os alojamentos pra verificar se ela estava lá, ela não estava, e, por mais incrível que pareça, essa… essa professora, essa tutora, ela colocou todos os alunos à caça da minha filha no meio do mato.”

Relata João Carlos Natalini, pai da vítima.

Quase às 18h, um dos topógrafos do grupo encontrou o boné da aluna sobre uma pedra, o que pareceu bem estranho, levando em consideração que o item tinha valor sentimental para a garota.

Um cozinheiro da fazenda faz contato telefônico com a polícia, neste momento já haviam se passado 6h do desaparecimento. Logo em seguida, por volta das 20h, um dos diretores da escola comunica o pai de Victoria sobre o acontecido.

Imediatamente o pai se desloca até o local, chegando por volta das 23h na fazenda. Nesse momento as buscas já estavam instaladas, contavam com cães farejadores, agentes da defesa civil e policiais militares. Na manhã seguinte moradores da região se juntaram as buscas.

Corpo Encontrado

Ainda no período da manhã do dia seguinte ao desaparecimento, o corpo foi encontrado por um helicóptero águia da polícia de São Paulo em uma mata bem afastada da sede da fazenda. O laudo da perícia foi inconclusivo, sugerindo morte natural devido a ausência de ferimentos.

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“É um absurdo, uma menina que tinha uma alimentação  irrepreensível, praticava esporte três vezes por semana, fazia natação duas vezes por semana, era ativa, só tinha bons hábitos, dormia oito horas por noite pelo menos.”

Desabafa o pai.
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Buscas policiais ao redor da Fazenda Pereiras

Investigação

Inconformado com a situação, João contrata peritos particulares. Badan Palhares afirma que o trabalho da perícia naquele dia foi muito fora do normal.

O corpo de Victória foi encontrado de bruços, com os braços cruzados e o rosto dentro dos braços, o que, segundo os peritos, indica que o corpo foi colocado naquela posição e não teria morrido daquela forma.

Segundo fato: a dois metros do corpo da adolescente foi encontrado um saco plástico, que não foi recolhido pela equipe da perícia que esteve no local no dia da morte. E, terceiro: ao lado do rosto da jovem tinha um pedaço de capim com sangue. O capim não foi recolhido pela perícia.

“Havia ferimentos, sim, escoriações, um machucado na boca, o pé tinha um sangramento nos dedos, em alguns dedos, nós não verificamos nenhuma análise da meia que ela tava utilizando”.

Destaca o perito criminal Osvaldo Negrini.

Palhares e Negrini fizeram um laudo totalmente contrário ao do estado onde afirmam categoricamente que a adolescente não morreu de causas naturais, e que tudo indicava homicídio.

“Nós municiamos a polícia desde o início desse inquérito. Em Itatiba, quando nós procuramos fazer com que eles investigassem e não houve nenhum tipo de retorno da investigação do delegado, quanto depois, quando o inquérito passou a ser presidido diretamente pelo DHPP.”

Afirma o pai.

Segundo os peritos, tudo indicava que Victoria teria sido asfixiada e morta em um local fechado, e posteriormente seu corpo foi levado até o local em que foi encontrado. O IML de São Paulo elaborou um novo laudo que confirmou as opiniões dos peritos particulares.

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A família não se conforma que um dos principais suspeitos, ex-funcionário da fazenda, não tenha sequer sido investigado.

“A gente tá falando de uma pessoa que tinha, primeiro, passagem pela polícia por tentativa de estupro, segundo, que tinha empreendido o mesmo tipo de violência física, na menina que ele tentou estuprar.”

O pai de Victoria questionia também o comportamento da escola alemã Waldorf Rudolf Steiner, onde a menina estudava. A escola segue o método Waldorf, que diz valorizar o ser humano e trabalhar o aprendizado físico, espiritual, intelectual e artístico.

“Além de eles não terem tomado nenhum tipo de providência pra nos dar suporte, inclusive psicológico, para a minha filha caçula, que era aluna na época, eles não deram suporte nenhum pra família após o ocorrido, não houve nenhum tipo de interesse deles em resolver o caso.”

“Todo e qualquer aluno que iria testemunhar na delegacia, estava sendo acompanhado por um advogado fornecido pela própria escola, que estava orientando o depoimento das testemunhas.”

Diz o pai.

João Natalini também afirma que alguns pais de alunos deixaram de falar com ele, e que o assunto na escola era que Victória podia ter usado drogas. As perícias do estado e a particular afastaram esta hipótese.

O dono da Fazenda Pereiras é um ex-aluno da escola Waldorf.

A advogada criminal Simone Badan Caparroz, que trabalha para a família diz não ter dúvidas que boa parte dos alunos e funcionários da fazenda e da escola mentiram nos depoimentos.

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“Há várias pessoas que mentiram, tiveram inclusive oportunidades pra ratificar o depoimento, mas não o fizeram, e nós já formulamos esses pedidos de indiciamento de falso testemunho, e esperamos que sejam deferidos pela autoridade policial que agora passou a presidir o inquérito.”

Afirma Simone, advogada criminal.

Na Justiça Civil, o pai de Victória ganhou direito a uma indenização, mas a escola recorreu.

“Quando você entrega um filho numa escola, a escola passa, a partir daquele momento, a ter o dever de segurança, proteger a criança, a sua integridade. Seja em atividade interna na escola, seja em atividade de excursão, seja em atividade extracampo.”

Diz o advogado Rui Reali Fragoso.

Já o processo penal, para apurar o assassinato de Victória nem começou porque a Polícia Civil não concluiu o inquérito. O Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP) afirmou em nota que as investigações seguem em sigilo, e que ainda vão ouvir testemunhas e realizar exames para elucidar os fatos.

A escola Waldorf Rudolf Steiner disse em nota que lamenta a morte da aluna, que tem contribuído com as autoridades, é solidária à família e está à disposição da Justiça.

Quanto mais o tempo passa, maior é a angústia do pai de Victória.

“Eu como pai, que já passou pela fase, primeiro de estar sendo quase morto, né, por, pela tristeza de se perder uma filha, depois pelo fato de estar com uma mágoa imensa dentro do peito, porque as investigações não andavam, agora como um pai que está completamente boquiaberto e que não tem mais outra alternativa sem ser pedir ajuda da, das autoridades pra que a polícia possa fazer e terminar o trabalho dela.”

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A família de Victoria criou uma página no Instagram @victorianatalinivive e também uma petição pública para a punição dos culpados. O caso segue aberto e estamos atentos a qualquer novidade.

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Juliane Cunha

27 anos, trabalho na área da saúde. Adoro escrever e também adoro casos criminais, nada melhor que unir o útil ao agradável. Me segue no Instagram @julianesantt | @casocriminal_